PARTE
I
O que é
a Hipnose Médica?
A Hipnose Médica é a ciência que estuda os efeitos
das sugestões e a obtenção e a utilização
de um fenômeno real e fascinante, para o qual ainda não
existem explicações satisfatórias: o Transe Hipnótico.
O Transe Hipnótico é uma alteração no
estado de consciência relacionado a grande relaxamento muscular
e bem-estar, e caracterizado pelo aparecimento espontâneo ou
sugerido de diversos fenômenos que serão estudados detalhadamente
nas páginas seguintes.
Há todo um conjunto de técnicas desenvolvidas para levar
o paciente a experimentar tal estado especial, entre elas:
Fixação do olhar
Sugestões verbais
Indução de relaxamento ou visualizações
Foco concentrado de atenção, geralmente interiorizado
Estímulos de qualquer natureza, desde que repetitivos, rítmicos,
débeis e monótonos
Aparelhos eletrônicos que estimulam a produção
de ondas cerebrais alfa
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Definições
propostas:
"As
sugestões - verbais, não verbais, de
contexto, arquetípicas, sociais, antropológicas, históricas
e muitas outras... - podem modular a Percepção (as informações
sensoriais), a Memória, o Processamento das Informações
e a Resposta (comportamentos, crenças, fisiologia pelo Sist.
Nervoso Autônomo) na mente humana.
A Hipnose é a Ciência que estuda este
fenômeno amplo e universal, e da qual derivam abordagens técnicas
de finalidades as mais variadas."
"Indução
Hipnótica é um procedimento (de qualquer natureza)
que amplifique a responsividade (susceptibilidade) do indivíduo
à sugestão."
"Transe
Hipnótico é uma condição transitória
do indivíduo (estado) onde a responsividade à sugestão
está aumentada - artificialmente por Indução
Hipnótica, ou desencadeado por fator sócio-ambiental
de ocorrência não intencional. Manifesta-se em diferentes
apresentações (ergotropa, trofotropa, catártico)
e há escalas que classificam em "níveis de profundidade"
conforme a responsividade à fenomenologia hipnótica.
Difere qualitativamente de outros Transes - Meditativo, Auto-Hipnótico,
Conversivo - pelo fenômeno de rapport com um operador, entre
outros aspectos em estudo."
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Transe Hipnótico
Não É Inconsciência
Embora durante
a indução hipnótica freqüentemente se utilizem
expressões como durma e sono, tal é feito porque tais
palavras criam a disposição correta para o aparecimento
do transe. Não correspondem, em absoluto, à realidade.
Traçados eletroencefalográficos de pacientes em transe,
mesmo profundo, aparentemente adormecidos, revelam ondas alfa características
do estado de vigília em relaxamento. O paciente em transe percebe
claramente o que ocorre à sua volta.
A parte mais importante da indução hipnótica
se denomina rapport, que pode ser definido como uma relação
de confiança e cooperação entre o hipnólogo
e o paciente. Qualquer violação desta relação
com sugestões ofensivas à integridade do paciente resultaria
em interrupção imediata e voluntária do estado
de transe por parte do mesmo. Infundado, portanto, o temor de revelar
segredos contra a vontade ou praticar atos indesejados. Da mesma forma,
a crença de que se pode morrer em transe ou não mais
acordar é meramente folclórica e não corresponde
à realidade. Um paciente “esquecido” pelo hipnólogo
sairia espontaneamente do transe ou passaria deste para sono fisiológico
em poucos minutos.
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Hipnose
É Um Treinamento
Na verdade
o paciente não é propriamente hipnotizado, mas antes
ensinado a desenvolver o estado de transe hipnótico. Tal só
poderá ser realizado com seu consentimento e participação
ativa e interessada nos exercícios propostos.
A velocidade do aprendizado e os fenômenos que podem ou não
ser desencadeados variam de pessoa para pessoa. O treinamento é
composto de uma série de exercícios que vão aperfeiçoando
a capacidade do indivíduo de aprofundar a sua experiência
hipnótica.
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Todos Podem
Aprender Hipnose
O único
pré-requisito para aprender hipnose é ser capaz de entender
a palavra falada.
Ao contrário do que muitos pensam, quanto mais inteligente
e imaginativa a pessoa, de um modo geral maior a sua facilidade para
entrar em transe. Não há distinção de
origem étnica, sexo, grau de instrução, idade
e posição social
Crianças são especialmente suscetíveis à
hipnose e os pais podem ser ensinados a utilizar técnicas de
comunicação baseadas em sugestões hipnóticas
para produzir grandes resultados.
A hipnose não tem contra-indicações.
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Um Breve
Histórico Da Hipnose
A hipnose
é um fenômeno universal, e há evidências
de que civilizações antigas, como os gregos e egípcios,
já fizessem uso da prática de fazer adormecer para curar,
mas formalmente consideramos Mesmer o seu precursor.
Franz
Anton Mesmer (1734-1815) e o magnetismo animal
Médico que conseguiu notoriedade na Europa ao induzir convulsões
e produzir curas ao “magnetizar” seus pacientes através
de passes magnéticos realizados com a imposição
de mãos ou uso de imãs. Desenvolveu aparelhos para tal
fim (“baquets”, ou tinas com limalha de ferro) e chegou
mesmo a “magnetizar” uma árvore de seu jardim para
que quem a tocasse fosse curado.
Personalidade controversa, recebeu muitas críticas aos seus
métodos e teorias e, curiosamente, poucas aos seus resultados,
que eram impressionantes e inquestionáveis. Uma comissão
de cientistas da época, da qual fazia parte Benjamim Franklin,
foi nomeada pelo rei da França para estudar a veracidade dos
fatos. Tal comissão reproduziu os fenômenos usando pedaços
de madeira ao invés de magnetos, daí concluindo que
o magnetismo animal não existia e os efeitos eram apenas “imaginação”
dos pacientes.
Abade
Faria (1766-1819)
Padre português que explicava o transe pela concentração,
e não pelo magnetismo.
Observou sabiamente: “Parece que os homens podem ser encantados
para a doença e encantados para a saúde”. Produziu
curas magníficas e alcançou grande renome.
James
Braid (1795-1860)
Oculista inglês que se deparou acidentalmente com o transe ao
pedir que um paciente fixasse o olhar em um ponto durante o exame
oftalmológico. Foi o idealizador do termo “hipnose”.
Ainda no
século XIX, destacaram-se Liébault e Bernheim
(Escola de Nancy) na França, que hipnotizaram milhares de pacientes
e desenvolveram técnicas empregadas até nossos dias.
Destacou-se também Charcot, embora suas pesquisas
se limitassem a pacientes histéricos.
O entusiasmo com as técnicas psicoterápicas de Freud
e a anestesia química foram os principais responsáveis
pela diminuição passageira do interesse popular e acadêmico
pela hipnose, sendo que por décadas ela foi relegada a espetáculo
circense por uns e desacreditada por outros.
Nos últimos anos, principalmente graças aos resultados
excepcionais e o reconhecimento alcançado pelo médico
americano Milton Erickson (1901-1980), a hipnose
vem sendo difundida e aplicada na prática clínica de
médicos, dentistas e psicólogos.
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Fenômenos
O estado
de transe é caracterizado pelo aparecimento de certos fenômenos,
que podem ser espontâneos ou provocados por sugestões.
Uma maneira de entender a hipnose é pensar nela como um amplificador
de eventos que podem ocorrer mesmo quando estamos acordados. Muitas
das funções do nosso organismo são reguladas
pelo Sistema Nervoso Autônomo, o qual não responde aos
comandos de nossa vontade, mas responde prontamente às nossas
emoções e imaginação. A expectativa de
se alimentar com alimentos saborosos desencadeia salivação
e produção de suco gástrico. Pensar em situações
agradáveis e paisagens repousantes pode diminuir a pressão
arterial e a freqüência cardíaca.
Em transe, é possível criar situações
imaginárias por vezes tão vívidas quanto as reais
(visualização cênica) a partir
de dados de memória – cor, peso, forma, gosto –
a qual está extraordinariamente aumentada (hipermnésia).
Pode ser desenvolvida anestesia e analgesia
de determinada região do corpo, podendo até mesmo serem
realizados procedimentos cirúrgicos.
Catalepsia é a sensação de peso
e imobilidade que caracteriza todos os estágios do transe.
Signo-sinal ou sinal hipnógeno
é um recurso através do qual um certo sinal (toque,
palavra, etc.) pode levar o paciente já treinado a transe de
maneira rápida.
Da mesma forma que muitas vezes esquecemos os sonhos, nomes ou datas,
a amnésia pode ocorrer para os eventos do
período hipnótico.
A sensação de tempo, que já é subjetiva
quando estamos acordados, pode ser afetada com hipnose, caracterizando
a distorção do tempo.
Muitas vezes procuramos, sem encontrar, um objeto que se encontrava
bem à nossa frente; ou interpretamos sombras como presenças;
ou ainda percebemos palavras no vento que sopra na janela. Em transe
hipnótico podem ser provocadas alucinações
que podem ser positivas quando o paciente percebe
como real algo que está em sua imaginação. Quando
o paciente se torna indiferente a certo estímulo, diz-se que
há alucinação negativa.
Sugestão pós-hipnótica é
quando se condiciona o paciente a responder de uma maneira predeterminada
e inconsciente a um certo estímulo.
Associada à hipermnésia ocorre a regressão
de memória (idade), na qual o paciente revive situações
e/ou comportamentos passados, às vezes do tempo de infância,
vida intra-uterina, ou, ainda, narra experiências que correspondem
a lembranças de vidas passadas.
O transe hipnótico também seria, especula-se,
um facilitador dos eventos de percepção extra-sensorial.
Os fenômenos mencionados acima são recursos que o hipnólogo
pode usar com objetivos experimentais ou terapêuticos.
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PARTE II
Aplicações da Hipnose Médica
Tratamento de Doenças Orgânicas e Funcionais
Há
um número muito grande de doenças em que não
existe lesão ou comprometimento da estrutura de determinado
órgão. Estas doenças são conhecidas como
doenças funcionais, e nesse grupo de patologias a hipnose obtém
excelentes resultados.
Como exemplos de disfunções podemos mencionar:
Neurológicas: enxaquecas e outras cefaléias
crônicas; certas tonturas e vertigens; zumbidos (tinnitus);
Sistema digestivo: gastrites; dispepsias; obstipações;
certas diarréias crônicas (síndrome do cólon
irritável); halitose;
Aparelho respiratório: asma; rinites alérgicas;
roncos e apnéia do sono;
Aparelho genitourinário: enurese noturna;
incontinência urinária; disúria funcional; dismenorréia;
tensão pré-menstrual.
Disfunções sexuais: impotência
psicológica; frigidez e vaginismo; ejaculação
precoce; diminuição do libido;
Sistema tegumentar (pele): urticária e outras
alergias; doenças de pele associadas a fatores emocionais;
Aparelho cardiovascular: Hipertensão arterial
essencial, certas arritmias cardíacas.
Em todas
as outras doenças, a hipnose também é indicada,
podendo auxiliar no manejo dos sintomas desagradáveis ou ainda
potencializando os recursos de cura do próprio paciente. Sabe-se
hoje da íntima relação do sistema imunológico
e fatores emocionais. A prática da hipnose pode predispor o
organismo como um todo para a cura ou manutenção da
saúde.
Obviamente não se indica a hipnose como tratamento isolado
ou principal para doenças graves como o câncer. O paciente
portador de câncer, entretanto, que receber treinamento em hipnose,
pode precisar de menores doses de medicação analgésica,
controlar melhor os efeitos adversos do tratamento quimio e radioterápico,
ter melhor apetite e disposição geral, além de
uma postura mais positiva frente à doença e seu tratamento.
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Distúrbios
Psicológicos
Ansiedade, Pânico, Fobias, Depressão e Outros
O sofrimento
psicológico pode ser tão ou mais intenso e incapacitante
quanto dor física.
As atuais técnicas psicoterápicas são relativamente
ineficazes e por vezes muito demoradas.A medicação,
por outro lado, é inespecífica e freqüentemente
associada a efeitos secundários desagradáveis.
A Hipnose pode ajudar a aliviar os sintomas e trazer serenidade, ao
capacitar a pessoa a apresentar respostas mais saudáveis aos
estímulos do meio, à sua própria história
pessoal e às suas emoções.
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Hipnose
para Correção de Hábitos e Vícios
É
natural o desejo humano de construir o mundo que o cerca através
de suas próprias decisões. Muitas pessoas se acham aprisionadas
por traços de personalidade indesejáveis ou vícios
como o jogo, o etilismo, o tabagismo e a drogadição.
A hipnose pode ajudar tais pessoas a expandirem o controle sobre suas
vidas, devolvendo-lhes o poder de optar livremente, sem automatismos
e a repetição de velhos hábitos nocivos.
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Hipnose e o
Tratamento da Obesidade
Não
se perde peso da noite para o dia. Pela menos não sem impor
riscos e agredir o organismo com cirurgias desnecessárias,
dietas rigorosas e prejudiciais ou medicamentos perigosos. E mesmo
assim tais resultados raramente são duradouros.
As diferenças entre uma pessoa obesa e uma magra vão
muito além do que a balança e o espelho registram.
O tratamento baseado em hipnose propõe uma reestruturação
da personalidade, na qual magreza e elegância acompanham mudanças
profundas e definitivas na relação do indivíduo
com o mundo.
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Hipnose
e a Prática Desportiva
Aprender
hipnose pode ajudar o atleta a desenvolver uma atitude mais positiva
e confiante em competições.
É possível aumentar a resistência física
e psicológica ao esforço e estimular disciplina e motivação
para o treinamento.
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Analgesia de
Dores Agudas e Crônicas
Toda dor
tem dois componentes: um físico, devido à lesão
tecidual, e um psicológico, que amplifica a percepção
desta dor.
O emprego de técnicas hipnóticas pode desligar definitivamente
o componente psicológico da dor, diminuindo por si só
grandemente a necessidade de analgésicos.
Excelentes resultados podem ser conseguidos também com o componente
físico da dor, porém aí são freqüentemente
necessárias sessões repetidas ou a prática de
auto-hipnose.
Lombalgias e outras dores de coluna, LER/DORT e fibromialgia, dor
pélvica crônica e outras síndromes dolorosas respondem
muito bem à hipnose.
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Anestesia para
Procedimentos Cirúrgicos
Na literatura
médica há muitos relatos de cirurgias de grande porte
realizadas com anestesia puramente hipnótica. Em nosso meio
tais estudos estão se iniciando, e várias pequenas cirurgias
já foram realizadas tendo a hipnose como método único
de anestesia.
Mesmo nas ocasiões em que a anestesia química é
empregada, o uso de hipnose diminui consideravelmente a quantidade
de medicamentos empregados.
Embora seja ainda um método experimental que não substitui
a anestesia convencional, há evidências de que é
uma ótima alternativa para pacientes que por quaisquer motivos
não podem submeter-se a anestesia por drogas.
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Hipnose
em Obstetrícia
A obstetrícia
é a área da medicina em que a hipnose se encontra mais
difundida, devido aos seus resultados impressionantes.
Gestação e parto são fisiológicos e naturais,
e a hipnose pode ajudar:
A aliviar a hiperemese gravídica (vômitos da gravidez),
dores lombares e urgência miccional
Disciplinar a alimentação da gestante, evitando ganho
excessivo de peso
Profilaxia da DHEG (doença hipertensiva específica da
gestação)
Durante o parto pode promover analgesia, relaxamento muscular e tranqüilidade
(parto sem dor)
A diminuir a incidência de distócias e outras complicações
Profilaxia da depressão pós-parto e estimulação
da lactação.
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Preparação
para Vestibular e Outros Concursos
A Hipnose
pode alavancar o progresso nos estudos e aumentar a chance de aprovação
em concursos.
É possível:
expandir a capacidade de memorização
auxiliar a estabelecer maior disciplina na rotina de estudos
motivar
desenvolver serenidade, fundamental para o bom desempenho em provas.
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Relaxamento
e Redução de Stress
Estamos
cercados por perigos reais e sobrecarregados com as exigências
da vida nas cidades. As preocupações profissionais invadem
e destroem os momentos de lazer e intimidade com a família.
Vive-se constantemente em prontidão, preparados para “lutar
ou fugir”, o que resulta numa hiperatividade crônica do
sistema nervoso autônomo simpático e em muitos efeitos
nocivos ao organismo.
Hipnose e o aprendizado da auto-hipnose podem ser mecanismos para
restaurar a harmonia e o bem-estar.
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Hipnose
e Insônia
O sono tem
uma arquitetura toda especial, e é constituído de diversas
fases, essenciais para a recuperação das funções
mentais e do organismo como um todo.
Os medicamentos para dormir afetam esta arquitetura e diminuem a qualidade
do sono.
A aplicação de técnicas hipnóticas é
realmente efetiva no combate à insônia.
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Auto-Hipnose
A auto-hipnose
é uma habilidade extremamente útil para a promoção
de saúde e bem-estar.
A melhor maneira de aprender a entrar em transe hipnótico é
receber treinamento por um hipnólogo.
Via de regra, ensinar auto-hipnose é o último passo
de todo tratamento com hipnose, dotando o paciente de um recurso valioso
na busca de seu próprio aprimoramento pessoal.
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Hipnose
e Desenvolvimento Pessoal
É
uma ambição universal querer ser uma pessoa melhor.
Aprender coisas novas, ter versatilidade e fazer cada vez melhor o
que já se faz bem.
Através da prática da hipnose é possível
suprir deficiências ou estimular traços de personalidade
desejáveis, como a autoconfiança e a liderança.
Aprender hipnose é uma atitude positiva para quem quer falar
melhor em público, vencer a timidez, progredir nas relações
pessoais e de trabalho ou superar suas limitações quaisquer
que sejam.
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Hipnose, Misticismo
e Parapsicologia
As possibilidades
da percepção humana vão muito além do
já explorado.
Em raras sessões de hipnose é possível observar
fenômenos que são da alçada de outra ciência:
a parapsicologia.
Tais fenômenos podem ser provocados e treinados por sugestão
ou podem aparecer espontaneamente.
Muitos pacientes experimentam a sensação de flutuar
fora do próprio corpo e poderem se deslocar a outros lugares.
Outros afirmam saber o que ocorre à distância.
Um fenômeno especialmente freqüente é a lembrança
de acontecimentos que teriam acontecido em outras vidas. Esta seja
talvez a área mais controversa da hipnose, e os estudiosos
estão longe de um consenso.
É fato que no transe hipnótico a imaginação
está excepcionalmente ativa, e que pode se tornar impossível
separar eventos fantasiosos dos reais. É opinião pessoal
do autor que a maior parte dessas lembranças, em especial aquelas
evocadas em sessões de Terapia de Vidas Passadas (TVP) são
na verdade a resposta da mente inconsciente do paciente às
suas próprias crenças e às expectativas do terapeuta.
Vez por outra, entretanto, o paciente narra eventos com datas, lugares
e acontecimentos que teriam acontecido num passado não muito
distante e cuja verificação com documentos e testemunhos
é possível. É uma situação realmente
desconcertante. Existem evidências de que a vida atual do paciente
seria influenciada pelo que aconteceu na vida anterior, e que problemas
e doenças poderiam ter sua origem em encarnações
passadas.
Ainda desafiam a neurofisiologia as lembranças relatadas de
períodos muito precoces da infância e da vida intrauterina,
quando se acredita que o sistema nervoso ainda não está
suficientemente maduro para reter memórias.
A hipnose, em última análise, é um instrumento
de estudo da mente humana capaz de suscitar respostas impressionantes
e ainda há muito a ser explicado.
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Parte III
Hipnose é Tratamento Médico
A legislação
brasileira faculta o uso da hipnose a médicos, odontólogos
e psicólogos, a cada qual em sua área específica
de atuação.
Também outros profissionais da área de saúde
poderiam beneficiar seus pacientes aprendendo e utilizando técnicas
de hipnose, como fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos,
enfermeiros e professores em geral.
Imprescindível, porém, que como todo e qualquer tratamento,
ele tenha indicação precisa a partir de um diagnóstico.
O único profissional que tem os conhecimentos necessários
para fazer qualquer diagnóstico é o médico.
A hipnose não é uma panacéia, mas antes uma das
ferramentas à disposição dos médicos para
cura ou alívio dos males. Existem doenças graves cujo
tratamento deve ser baseado em medicamentos ou cirurgia, e nas quais
a hipnose pode ser um auxílio (tratamento adjuvante), e não
tratamento isolado.
Como exemplo, o que um não-médico afirmaria ser uma
depressão pode, na verdade, mostrar-se uma anemia, ou hipotireoidismo,
insuficiência renal ou supra-renal, hidrocefalia, doença
degenerativa do sistema nervoso, neoplasias, infecções
crônicas, intoxicações, diabetes ou ainda outras.
Somente o médico pode fazer o diagnóstico e indicar
qualquer tratamento.
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A Sessão
de Hipnose
A sessão de hipnose tem aproximadamente 1 hora de duração
e costuma ser extremamente agradável para o paciente.
Num primeiro momento, médico e paciente se conhecem e são
definidos os objetivos paciente. O mesmo recebe informações
sobre hipnose e pode resolver suas dúvidas. Dependendo da situação,
procede-se a anamnese (entrevista médica) e eventualmente exame
físico. O tratamento proposto pode ser hipnose ou hipnose associada
a tratamento médico convencional. Freqüentemente o tempo
ainda é suficiente para a demonstração de algum
fenômeno hipnótico ou breve indução de
transe, oferecendo ao paciente um primeiro contato com o conforto
do transe hipnótico.
As sessões subseqüentes objetivam o aprimoramento da habilidade
do paciente de experimentar os diversos fenômenos da hipnose
e a utilização do transe para buscar os resultados almejados.
Via de regra, o tratamento é considerado completo quando são
alcançados os objetivos definidos e coroado com o aprendizado
da auto-hipnose.
Naturalmente, cada indivíduo tem necessidades especiais e o
tratamento é flexibilizado para as satisfazer.
Alguns pacientes preferem comparecer sozinhos às sessões,
enquanto outros necessitam de acompanhantes íntimos (pais,
amigos, namorados) para desfrutar de uma experiência hipnótica
proveitosa.
A freqüência das sessões pode ser semanal ou qualquer
outra conveniente a cada situação.
O custo da sessão de hipnose corresponde ao valor de uma consulta
médica praticado na localidade.
Os benefícios são imediatos e crescentes.
A duração do tratamento pode variar desde uma única
sessão até muitas, mas já no início do
tratamento o paciente pode avaliar seus progressos, suas expectativas
e decidir se continuar aprendendo hipnose lhe será benéfico
ou ajudará a alcançar suas metas.
Os resultados do tratamento estão relacionados aos objetivos
em si, à assiduidade do paciente e à capacidade individual
de desenvolver os fenômenos hipnóticos em resposta aos
exercícios propostos.
As condições de postura do paciente que predispõe
ao sucesso do treinamento são a vontade sincera de aprender
e melhorar e uma atitude curiosa em relação à
hipnose.
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Considerações
Finais
Em resumo
ao acima exposto, pode-se afirmar que a Hipnose é um recurso
de eficácia comprovada, regulamentado e incorporado à
prática médica moderna. A exemplo do que acontece nos
países de primeiro mundo, vem obtendo difusão rápida
e despertando o interesse de um número cada vez maior de médicos
de todas as especialidades. É apenas o início de uma
mudança profunda na forma como a medicina é praticada
atualmente.
O objetivo desta publicação é esclarecer e informar.
A hipnose é cercada de mitos e crenças errôneas,
e muitas pessoas que poderiam se beneficiar com tais técnicas
não têm acesso a esse conhecimento. Mesmo um contingente
expressivo de colegas médicos ainda desconhece os efeitos e
indicações da hipnose, deixando de oferecer aos seus
pacientes uma oportunidade ímpar de melhora e desenvolvimento.
Nenhum preconceito prevalecerá, porém, à luz
dos resultados.
Dr. Alcimar
José Vidolin
Médico/ CRM 16280 PR
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